É nas madrugadas, exatamente como nas da minha infância de febre, que os sintomas se agravam. Parece até que o interior da gente teme o que virá no outro dia, e perde o controle de si. Como se o Sol, com todo aquele seu brilho autoritário, viesse ordenar que a vida continuasse, mesmo que a gente estivesse doendo por dentro – ontem a garganta, hoje parece ser a alma inteira. E lá pelas duas, quando ainda restava tempo suficiente para que o sono nos preenchesse, bate esse sofrimento por antecipação, já que faltam poucas horas pra chegar a hora da escola (ou de se levantar pra deixar uma cama de casal vazia). Todas as células pulsando ouriçadas por um amanhecer menos ordinário, que permanece intacto. Os olhos giram nas orbitas de tanto olhar pra Lua implorando que ela permaneça. Os seres ansiosos tendem a se negar as poucas horas de sono finais do seus descansos. É que eles não sabem bem como medir onde começam e onde terminam suas tragédias.
Engraçado como me sinto mais infantil hoje, ao temer que o dia venha preto e branco de tanto ser só eu, do que no passado, quando me afligia a possibilidade de precisar suportar um pedido à professora para que me deixasse voltar pra casa, tremendo e febril. As duas coisas estão relacionadas a esse meu orgulho eterno que se nega a pedir arrego para qualquer coisa que esteja viva. A diferença é que hoje eu já deveria estar vacinada para essas quedas de imunidade da minha auto-suficiência. Essa alergia que eu possuo de ter a noção plena da solidão que consiste ser independente.
Quando eu acordei, eu sonhava justamente com uma outra respiração além da minha que atingia a minha nuca. Pareceu a decepção que eu sentia aos 9 anos ao tomar um copo de água pensando que era Sprite. Por três segundos eu me preparei para virar e abraçar aquele cheiro quente. Pelo resto da noite, eu e um maço de cigarros tentamos em vão me preparar para o que seria da minha vida agora que eu tinha tido a tardia maturidade de imaginar ela composta apenas por mim. É humilhante para uma mulher que se constitui tão autônoma nos últimos anos ter que conviver com esses fantasmas sentimentais noturnos. E o despertador tocou comigo ainda acordada, recitando pra mim mesma que estava trabalhado demais, e que isso acabava com o meu sono.
Eu me sentava inquieta, pela quarta vez, na mesma manhã de domingo chuvoso em frente ao computador. O documento de texto aberto, piscava uma barra fina e preta, de resto era ainda um imenso branco. Ia chegando o momento em que eu era obrigada a admitir a mim mesma um erro imperdoável: eu tinha me comprometido em escrever o simples. As palavras desmoronam em um avalanche para romancear algo quase vivido, mas perecem se recolher tímidas quando é preciso que sejam diretas, simples, claras, realistas.
Percebi que vasculhava todos os discos disponíveis espalhados pelo chão da sala na intenção de dentro de alguma canção, encontrar respostas para um certo olhar inconsciente. Eu queria ouvir num ritmo envolvente o por que de toda essa contradição: uma espontaneidade quase natural sobreposta às camadas de reservismo que eu egoísta acabei por me presentear em meio ao caos. Eu queria fantasiar o por que de toda essa alegria, sendo que o que ocorreu foi que por acaso acabaram me encontrando vestindo o meu sorriso mais bonito.
Depois de ter negado a mim mesma qualquer otimismo vital, e dos pecados acumulados pelo abandono dos que precisavam de um pouco dessa presença, para que se mantivessem de alguma maneira mais vivos e menos sobreviventes, quando a caverna já estava suficientemente lacrada, quando o prato singular já era suficientemente obvio em todos os almoços, no momento da plenitude de toda a minha luta pelo isolamento no sentido mais egoísta, mimado e incapaz da coisa, houve quem distinguisse um olhar que involuntário ainda fala. Como um grito surdo em meio ao “final feliz”, algo que tem a audácia de questionar a vitória dessa introspecção voluntária. Autoritária.
Fosse talvez uma tática barata de quem percebe que precisa de atenção, e poderia. Fosse um engano de interpretação, um erro banal do cotidiano de quem observa, e poderia. Fosse alguma coisa inédita, mas sincera, um sorriso só pra celebrar uma identificação daquelas sensíveis, e era. Como um broto novo que timidamente surge da estrutura sólida do tronco, diferente de tão verde, como que tendo o que dizer. Não se trata de ser ou não o jeito que olho. É só que se ele me invade em silêncio revelando que de fato ainda pode existir o que seja interessante em meio ao tédio, faz parte também de mim vir a negar que esse interesse todo exista. Só por que eu ainda me acho muito nova para ser tão madura. Acordei nesse domingo pra fugir das regras que eu mesma estabeleço. É quase um medo ter que aturar pra sempre um mesmo eu no controle da situação. É que eu gosto mesmo é do estrago.
O que eu digo em silêncio é que por algum motivo doce e simples, você me diverte. Eu que gargalho a toa, só pra ver o tempo passar, de tão tedioso que me parece esse mesmo tempo, me surpreendo a olhar estranho o que me trás alguma esperança, aquilo que até agora não passa muito dum emaranhado de passados e desejos desconhecidos para mim. Também é por que eu sei que se decifra esse jeito infantil de dizer, é por que de alguma maneira fala a mesma língua, sabe ler no silêncio e no escuro. É como que se o que me atrai fosse o desconhecido, o que ainda se encobre obscuro debaixo das camadas dais quais são feitas as pessoas. Meu olhar é uma curiosidade. Um tiro no escuro.
E tão distraída como no começo, finalizo tão insatisfeita quanto da descoberta: é uma pena que eu seja insensível ao ponto de prometer poemas e me apresentar com explicações em tom de bege. Eu começava a me sentir incomodada com isso, quando por fim percebo surpresa, que o ponto final se estende num inovador café preto, o único que foi capaz de desentalar o que até agora neguei verbalizar, mesmo que para mim.
Eu tenho escondido, e você não vê, mas ultimamente eu caminho com aqueles olhos de quem precisa conversar. E eu já incitei isso contigo tantas vezes, mas eu nunca consigo atingir o ponto importante: antes que eu consiga chegar lá, você já foi correto demais, exato demais. Tudo que eu posso fazer é consentir com a cabeça, é sorrir com cara de quem erra, exagera e sabe disso, te abraçar depois e dizer que está tudo bem.
Isso, por que eu não consigo deixar escapar nenhuma chance de tudo estar bem. Você também não sabe, mas isso não é uma coisa muito constante por aqui. Você não sabe nada do que eu passei, e ainda que saiba, não sabe. Eu não posso me despir do meu passado, eu nunca mais vou ser a mesma, e mesmo sem ter conhecido quem eu fui, você vai sentir falta. Você vai ter que arcar com o peso dessa nova expressão que eu carrego ainda que o meu ontem seja vazio de ti. São conseqüências e seria uma exagero se eu viesse aqui me desculpar.
Eu fui muito machucada. Exatamente como são todas as pessoas, exatamente como também machucam todas as pessoas. É um exagero, mas eu queria tanto que elas se desculpassem. Por que eu morri por dentro, por que eu não queria, mas acho o amor uma coisa ingênua. É infantil no seu pior sentido, é insano, é inconseqüente, é ridículo. E você é não é nada insano, nada inconseqüente, nada ridículo, mas ainda assim tu tem que pagar por isso. Por tanto horror, por consideração a toda a dor que eu passei, não é justo que eu me entregue a você como se nada tivesse acontecido.
Eu tenho medo, eu estou morrendo de medo. E eu te amo da forma mais racional e padronizada que eu consigo. Eu luto todos os dias pra que você seja lindo, nunca belo. Que você seja ótimo, nunca o melhor. Importante, mas não essencial. E no fundo no fundo, são esses sentimentos engessados em conceitos de correto que me fazem andar com essa cara de quem tem o que dizer. Mas e daí? Vou confessar? Vou atravessar a rua, te cumprimentar e dizer que o meu sentimento é todo pela metade? Pra que? Pra que?
Eu morro de vergonha, mas várias vezes eu sinto vontade de te chamar de amor, de te tratar com carinho. Eu passaria tardes te elogiando se não achasse isso Amélia demais pro meu gosto retraído. Você é tão surpreendente que era capaz de gostar disso tudo. Que era capaz de me amar mais ainda se eu dissesse que te amo, se bobear você ia até dizer que também. Mas aqui alguém aprendeu que não se corre riscos. Que até se sofre como hoje, mas é consciente, é consentido e é até onde fica suportável. Ninguém, nunca mais vai ser maior do que o meu bem estar, e essa é a minha pontinha sincera de pessoa correta que eu morro de orgulho em carregar.
Por que essa é a única maneira pra que eu te ame inteiro, e não enlouqueça. É o único meio de eu me sentir segura, por que aí ainda que tu me deixe, que tu me troque, que tu me odeie, eu vou te telefonar de madrugada todas as vezes que eu tiver um pesadelo. Por que ainda que a gente nem se ame mais, vai ter na bagagem uma vida nossa, só nossa, que nenhum dos dois jamais vai poder negar.
Não é nada bonito o que eu escrevi, não é nem poesia. É só humano, carnal, espontâneo, como eu ainda não tenho coragem de ser contigo. Se eu não me envergonho? Aos litros, escorrendo na privada recém vomitada. Eu sou repulsiva, toda essa minha voluntária solidão tem um por que de ser, por favor me entenda. Por favor.
Eu queria ser diferente, acordar todos os dias já é meu prélio em tentar ser diferente. Mas só dessa vez eu te prometo ser sincera: eu ainda não sou nada do que eu almejo. Ainda que desgoste, eu sou a pequena mimada insegura, exatamente como você me vê, ainda que eu relute em me vestir de madura compreensiva.
É tão humilhante implorar por amor intenso. E eu aqui. (always waiting).
Destranquei a porta da frente já sabendo que a cópia se encontra fechada a segura na gaveta da cômoda. Agora só eu possuo a intimidade de guardar no bolso a liberdade de chamar esse cubículo de lar. Parece que o silêncio, o escuro, o vazio da sala sem metade da coleção de vinis ecoa dentro de mim. Você bateu a porta e o estrondo consumiu com metade da minha melodia.
Eu desacreditei em dormir, em comer. Eu mantive a respiração, eu mantive os passos até o trabalho, pelo mesmo ingênuo motivo de que me mantive atenta ao celular, de hora em hora, todos os singulares dias, na esperança de ter perdido alguma chamada sua. (Apesar de saber que minha atenção desesperada sobre tudo o que pode remeter você de alguma maneira, torna esse vacilo impossível.)
Eu nunca questionei esse apartamento. Eu nunca imaginei outra realidade desde que aos poucos fui me acomodando aqui dentro. Eu não poderia saber se era bom ou ruim, eu me sentia era adequado a uma vida óbvia, onde desde a infância, ainda que esta tenha sido a mais fantasiosa, eu sabia que acabaria mergulhando. Você não possuía o direito de suprimir a coisa assim. Os romances, os aferes, até os casamentos eles vão e vem. A dor vai e vem. Mas não é justo, com nenhuma pessoa, que a gente parta e leve a própria existência dela.
Embriagada, fumante, sem unhas feitas. Escovo os dentes desesperada, na intenção de tirar esse gosto amargo que agora vive na boca. Numa investida brusca, a parte de plástico da escova acaba por me bater na gengiva, fazendo com que sangre. Sentindo o gosto característico, cuspo. A boca magoada, o olhar dolorido examinando o espelho, tudo parece ser culpa sua.
O sangue escorrendo, lembra um choro entrando no ralo da pia. Nas gotas da mistura dele com a água, o álcool (ou não?) me faz conseguir distinguir algumas letras. De cócoras, fumando meu quarto cigarro seguido no chão gelado de azulejos, repito desesperada dentro da mente o que acabei de ler:
-Why didi you have to go and let it die?
Eu passo a tarde mergulhada nas pilhas de livros. Critico todas as revoluções, entendo todos os processos, relaciono todas as sociedades, problematizo sistemas de produção. Eu explico a história.
Depois do banho, eu deito na cama, a luz apaga, o trabalho intelectual se mantém: eu estudo nós dois. Só que o contexto do fim, não tem nada a ver com a nossa realidade. Esse período de transição está eterno demais. As fontes são claras: é amor. A narrativa extrapola as possibilidades humanas, não existe nada de subjetivo, de imparcial: o que eu leio e escrevo é verdade.
Exceção da exceção, nossa história ignora os fatos, a estrutura e a conjuntura: se faz avessa.
O golpe de estado do fim chega como um pacote pronto, ele não tem nenhuma estrutura pra acontecer.
Eu carrego todas as civilizações de todo o tempo, o tempo todo. E logo nós, que deveríamos ser tão inseridos nisso não cabemos nas minhas análises.
Está errado, totalmente. Foge as leis que a humanidade durante toda a existência tratou de fundamentar. Minhas considerações são de que esse recorte, essa maldita cama de solteiro de onde eu escrevo, não tem fundamento, é uma falácia. E até com uma precária pesquisa você acabaria por seguir essa mesma corrente de pensamento.
Ainda assim eu lembro. E é por isso que ainda assim eu vivo.
"Are you happy now with all the choices you made?
There are times in life you know you should have stayed.
Will you compromise and realize the price is too much to pay?”Nunca senti tanto a sua falta. Nunca foi tão desesperadora a tua ausência: essa que agora é consentida, é bem vivida, é todo dia e tudo bem. Não pode ser, eu me recuso.
Recuso por que todo o amor ainda ama. Era de verdade, não cabia no peito, e era pra sempre, lembra? Eu não sou de desfazer o que eu digo, ainda que eu diga errado. A verdade nem sempre é métrica, ou certa, ou conexa, acho que você também lembra.
Também lembra do tamanho da intimidade que era acordar gelado e se emaranhar no outro, feliz por dentro de ter aquela situação. Acho que você ainda lembra quando ouve as músicas, quando lê as frases, quando esbarra no porta-retrato na escrivaninha, pelo qual eu fui chorar escondido no banheiro quando vi que você tinha mantido no lugar.
Acho que mais que saber, você entende a minha culpa nesse hoje tão tom pastel, tão sem graça, sem vontade, como foi tudo, tudo na minha vida depois que você foi embora. Você nunca foi embora. Você só ficou puto, precisava pensar um pouco, foi no posto 24 horas comprar cigarros, tomar um ar. Aí eu lacrei a porta.
Lacrei amor, por que se era pra você ir, que fosse só uma vez. Se fosse pra bater atrás a porta com todos aqueles absurdos saindo da sua boca, que fosse só uma vez, pra eu não acabar morrendo. E morri. E morro sozinha do lado de dentro, todos os dias depois dessa noite.
E agora, aos poucos, de leve, gradativamente, você foi indo, foi deixando, foi passando, e eu não quero assim. Eu não assimilo esse “não você”, na minha vida. E se eu sou tão covarde, se tu mesmo já me gritou outras vezes, “tu é uma covarde!”, por que não entende mesmo isso, e faz tua parte no meio dessa coisa ridícula que é a vida que eu levo?
Eu não posso abrir a porta. Mas você sempre teve a manha de arrombar a fechadura.
“Andamos em voltas retas na mesma esfera
Onde ao menos nos vemos por que a nevoa passou
A chuva no chão revela os olhos por trás
A que levar os restos que o tempo queimou.
Tens fios demais a prender-te as cordas
Mas podes vir amanha a acreditar no mesmo deus
Tens riscos demais a estragar-me o quadro
Se queres vir amanha acreditar no mesmo deus
Devolve-me os laços, meu amor.
Andamos em voltas retas na mesma esfera
Mas podes vir amanha
Se queres vir amanha,
Podes vir amanha.
Tens riscos demais a estragar-me a pedra
Mas se vieres sem culpa a procura de luz
Devolve-me os laços, meu amor.
Devolve-me os laços, meu amor!”
Torjana.
Seriam essas palavras um pedido de desculpa então? Perdão pela minha falta de poesia, pela minha nova-velha vida monótona que me impede de deixar colorido o caminho? Lembra quando até a fumaça era cheia de cor? Na bolsa, sempre uma caixa de aquareláveis 36 cores. Hoje, na bolsa, são 36 minutos até eu me atrasar, 36 comprimidos, 36 páginas pra amanhã. Nenhum amor pra hoje. Nenhum bom dia, hoje.
Eu queria dividir, mas já não sei. Tanto tempo faz que não abraço uma pessoa de verdade que tenho me carregado inteira. E seria literal e engraçado (se não fosse trágico) eu aqui escrever: eu peso. E todo dia, depois do pé-de-moleque vagabundo a 1 real do terminal, que eu soco, engulo, entalo, peso mais 100 gramas. Com muito “dramas”, acreditem.
Eu caminho adversa as ruas do centro movimentado, eu esbarro nas pessoas de propósito. Eu sinto tanto, tão torto, que dói tanto, dói torto. Não era pra ser assim. Já se passou tanto inverno, eu já deveria ser a mulher independente que almoça um prato cheio de salada sentada sozinha no restaurante. Eu já deveria ter a chave de uma kitinete, pra abrir a porta e encarar um gato gordo e peludo no sofá. Nesse segundo, eu queria tanto a chave de uma kitinete pra abrir a porta e ter um gato gordo no sofá.
Queria, mas eu vivo sem. O que eu precisava, era saber o fim de tudo. Dormir sabendo o parto que é cada manhã é ruim, mas acostuma. Duro é dormir com essa certeza, mas esconder debaixo do travesseiro um punhado de esperança no acaso. Dois segundos fazem diferença.
Duas palavras fazem diferença? Enfim, no meio de tantas incertezas, para pelo menos nisso não deixas dúvidas, te amo. E isso, não estava no script.
Eu deveria ter um gato gordo no sofá. Não ser o gato gordo do no sofá.
O meu silêncio não é medo, nem é tédio. É só expectativa amor, de que alguns dos teus suspiros possam vir a ser uma nova frase que tu solta. Calo, por que teu falar tem mais importância. Calo pra brincar de esperar que de ti saia alguma coisa inesperada, bonita, nova. E é as vezes desilusão nessas ocasiões ouvir, “Já são 6 horas”. Por que quando tu abriu a boca eu esperava que fosse, “São 6 horas e eu já te amo, sabia?”.
Eu erro toda a hora no nosso amor. E eu não poderia fazer certo no meio de tanto silêncio! Se estou sozinha nos meus pensamentos, mesmo quando tu me acompanha, e se a tua presença é tão sólida, intensa e tentadora, como poderia eu não acabar criando o teu querer? Se olho dentro e olho fora, só vejo você, só sinto você, cheiro você, e aí vem e invade todo esse silêncio. Descontextualiza, entende? Não pode ser.
E eu tão carente de tu só me olhar e olhar, acabo me obrigando a inventar, a tocar você em mim todo sonoro de amor. E aí dá sempre tudo errado. Por que eu fico parada na sua frente com aqueles olhos de quem quer, e tu não sabe entrar na minha cabeça, fica parado com olhos de quem não entende, e esse jogo agonia. Agonia tanto, que eu não sei mais viver sem, não sei sair. E se é esse o caso já estraguei tudo. Por que se quero tanto algo de ti que só o que posso é querê-lo, nada mais vai me servir. Por que se quero muito que tu me digas, “São 6 horas e eu já te amo, sabia?”, não vai adiantar se tu disser, “São 6 horas e eu sempre te amei”. E isso é tão feio da minha parte! Só que eu não vou te confessar. Um pouco por que sou muito orgulhosa. Outro pouco por que nem precisa. Você é tão malandro...
É que as vezes, por um segundo, um segundinho apenas, eu me distraio. Pode ser um tênis igual ao meu passando pela calçada, o celular que avisa ter chego mensagem ou um cheiro bom. Qualquer coisa pequena dessas, que é infinitamente desimportante do teu lado, mas que não sei por que, durante um segundo me cativa inteira. E eu não sei se tu conhece tanto, ou se é destino ou coincidência, mas é normalmente nessa hora que tu me beija. Eu não sei nem de que direção tu veio, a impressão que dá é que estavas longe e se materializou dentro da minha boca. Beija demorado, dançando, é teu carinho. E eu que não esperava nada, recebo tudo. Eu que dentro de mim nem sabia mais que tu estavas ali, te entendo inteiro.
É por esse segundo de surpresa que eu te amo. Que eu te ligo convidando e que eu mantenho algum “nós dois”. Tu não vai saber já, mas nosso par eu já estraguei faz tempo, num ontem descontrole que eu passava. Tu só vai ter mais segundos ausentes pra me beijar inesperado, graças ao meu mau caráter de nos manter sem me esforçar pra ser bonita dentro disso. E isso é tão feio da minha parte! Só que eu não vou confessar. Um pouco por que sou muito orgulhosa. Outro pouco por que nem precisa. Você é tão malandro...
Foi tão dolorida aquela tarde conversando contigo: descobrir que as causas, na verdade não eram as causas, eram as conseqüências. Entender que o problema não era o cartão do banco estourado, não eram as disciplinas atrasadas na faculdade, não era a podridão nata de todas as pessoas ao redor. Não era a maresia que me ressecava, não era o transito interminável todo dia. Todo o horror disso tudo, eram apenas conseqüências do meu maior problema: um eu que eu não queria entender.
Não que no momento da revelação de tudo isso tenha doído, pelo contrário. Foi até esclarecedor, tranqüilizante de alguma maneira. Foi aquele respirar bom do fim de alguma ignorância, foi concordar silenciosa com a cabeça, séria de tanto entender.
Mas desde então já se passaram 24 horas, duas garrafas de vinho, toda a comida que eu tinha em casa, e tudo que eu tenho pra te trazer é, “e agora, meu amor?”.
O tédio de toda a minha realidade não quer baixar. A sensação de febre cada vez que eu tento imaginar o amanhã não quer diluir. Vendo que durante toda a vida tentei resolver as coisas pelo caminho errado, no sentido inverso, me sinto tão inserida em não me conhecer que não faço idéia do que me perguntar
É sábado e a casa é toda a minha. Nesse vazio deveria estar a solução de toda a minha angustia, mas aí me vejo tendo de conviver com essa casa transbordante de eu, e não dá. Não posso mais. Eu que sempre fui tão adepta dos sonhos, eu que viajei com o peito tão aberto ao amor... Amor que eu quis tanto, almejei tanto, preparei tanto, que quando vi já o tinha criado eu mesma. Eu estava aberta a amar um certo formato que eu possuía o encaixe. E aí você disse tantas verdades daquele sua forma rude carinhosa, que eu acabei percebendo que quem não cabia nesse amor era eu mesma.
Eu sei o nome de pra onde eu devo ir. Mas eu não possuo o mapa, e você sabe: a geografia me enjoa. É tudo muito novo pra um eu tão carente que tem dormido no meu colo. Como eu posso descobrir meu mundo, com um eu criança de colo entre os braços? Como a vida pode ter a audácia de fazer da minha maior dificuldade, um assunto tão meu?
Não tenho problemas quanto a morrer. A dor amor, é que eu não sei sangrar sozinha. E eu não posso desbravar sem abandono. Tanta flor vai se perder nesse caminho. Tanto sonho esmagarei no chão, só pra poder continuar a andar...
E sexta-feira, eu chorava pensando em quantos amores se perderiam nesses esmagos... Hoje, eu mal andei uma quadra, e choro morrendo de saudade de mim.
“Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada essa minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvezeu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe. “
Clarice Lispector.
Cumpri minha função social.
Bom final de semana.
Passo as tardes imersa em aflição. Eu quero um mundo. E quero que esse mundo todo exploda. E quase sempre acaba acontecendo de eu não poder me controlar: e aí o meu olhar é impreciso, minhas frases monossilábicas, meu sentar agoniado, minha presença é ansiosa. E não podendo resistir, diferente de outras coisas que eu não resisto, sendo insuportável, impossível que eu sobrevivesse mais algum segundo em qualquer ambiente, eu corri dali. E tão inesperado quanto provável, antes que eu possa abandonar o espaço, é você quem com o olhar preocupado mais tranqüilo que eu conheço, caminha interessado ao meu lado.
-Tá tudo bem?
Andando devagar por aquelas ruas que sempre deixam em nós a dúvida de amor e ódio, eu te lembrei que o desespero é o meu sentido. E falei rápido e compulsivamente, e agitei as mãos frenética como meus antepassados, e quis chorar tantas, tantas vezes que não pude me permitir. E em frente ao ponto de ônibus, um último desabafo, o mais difícil, meu orgulho todo nu diante de ti:
- É que eu não quero ir para casa!
E você fez aquela cara séria de compreensão que eu tanto adoro. E demorou uns segundos até me responder daquele jeito baixinho, como você sempre faz nos momentos de me agradar:
-Então, você não vai pra casa.
E eu fiquei na dúvida entre pular no seu colo, ou correr 4 quarteirões seguidos. E eu quis recitar mil poemas, te levar ao Circo de Solei, passear de balsa, viver junto pra sempre. Mas acabamos acatando a sua sugestão, e fomos tomar um café.
E eu adoro o seu tamanho exagerado. O seu abraço fora do padrão, me esmagando dolorido, o mais confortável de todos. Dentro dele, eu fecho os olhos fundo, e com a última gota de misticismo que ainda me resta, peço a Deus que no minuto que eu novamente os abrir, nós não estejamos mais numa mesa cheia de adoçantes e cremes, e sim num lugar onde eu possa suspirar, e dormir durante muito tempo em ti. Adoro me descrever pra você, só pela constante surpresa de nunca saber em que sentido virá o seu comentário. E quando eu te digo que queria dormir no seu colo, mesmo quando o ambiente é a palestra mais esperada do semestre, você sorri bonito e diz óbvio, “dorme”.
É você quem resolve com toda a simplicidade os problemas que eu julgo os mais complexos. É você quem faz das minhas leituras atrasadas uma gargalhada improvável. É você quem se diverte com as minhas neuroses, que me mima com prazer. É você o único, durante toda a minha existência, que me ouviu realmente com vontade.
Eu queria prolongar esse encontro pra sempre, mas também eu não queria. Eu queria que tivesse durado só dez minutos pra que a gente fosse pra casa morrendo de vontade de um do outro, e amanha se encontrasse querendo tanto mais. Eu queria poder nunca acostumar, nunca entender você. Queria pra sempre esse começo. Eu te acredito tanto. Eu te amo já.
Acabamos chegando ao habitual ponto de ônibus. Não que para nós, os ônibus e ele tenham alguma ligação. Minha condução passou uma, duas, quatro vezes, com você me agarrando forte ao seu colo e gargalhando, e eu sorria ao motorista estressado, deixando sucessivamente que ele passasse, louca de vontade de dizer, “Eu não vou. Eu tenho por quem demorar”.
Sentada sozinha no banco de pedra, finjo ler um livro para não me sentir tão deslocada. As pessoas passam, e eu fico imaginando, o que pensam sobre mim. Quais estereótipos criam a partir do meu tênis da sessão infantil? O que pensam que eu faço numa noite julina e gelada, em pelas férias, num banco cinza da universidade? Será que sabem, que eu espero você?Será que está estampado na cara que o estomago está subindo pela garganta? Será que transparece aos olhos, seu atraso, minha insegurança, minha decepção?
Lavei a louça, e vim. O tão temido vento sul dessa ilha me encontrou no caminho, cortando as mãos ainda um pouco molhadas, cheirando a detergente de maça. Rezei em silêncio, para que quando eu chegasse, tu já aqui estivesse. O lugar se encontrava vazio. Sentei, e olhei o relógio grande a minha frente: 19:03. Três minutos de atraso. Tudo bem, eu vou sobreviver, você vai chegar, eu posso esperar mais um pouco. A imagem do relógio muda,e ele me informa outro número: 9 graus. Noite escura, sozinha, temperatura ardida, te esperando. Eu vou morrer.
Mil pensamentos me invadem a mente, e começo a tentar criar desculpas para seu não vir. O trabalho talvez? Uma carona inesperada para casa, algum amigo doente, um ônibus quebrado, um bom livro...Alguém? O que teria te desviado do compromisso, de as 19:00 horas, estar no lugar onde estou? Presa em minhas neuroses, quase não te vi chegar, caminhando gingando, cantando alto e sorrindo pra mim uma canção de São João.
Ah você veio! Enquanto a racionalidade se soca no chão com minha ansiedade sem fundamento, te abraço e sinto seu cheiro fosco...O suspiro em seqüência, eu juro, sai involuntário. Seu primeiro toque é sempre como encontrar um posto 24 horas, depois de vinte minutos caminhando atrás de cigarros.
E então começo a te sugar. Parasita, me emaranho nos seus cabelos, suas roupas de lã macia, seu toque, seu beijo, seu nariz contra as maçãs do meu rosto... Suas palavras presas ao timbre da sua voz me arrepiam os pelos do braço. Trancafio na memórias suas histórias, suas idéias, cada defeito que inconsciente deixas escapar. As horas passam depressa, e eu mergulho em teu ser cada dia um pouco mais fundo. Te desvendar é um passatempo, seu calor é prazer incomparável, teu sorriso é combustível do meu .Te aproveito ao máximo, sem moderação.
Só que chega o momento, em que morder a tua boca se torna monótono. E aí eu percebo as pernas balançando involuntárias, louca pra correr dali
Já deu, já passou, já supri meu vício de ti. Meu moleton já aparenta mais atraente que seu abraço, sua cota de hoje já foi completada. Te trago uma última e demorada vez, talvez com um certo medo da hora que a abstinência bater de novo. Te sinto inteiro até o último minuto, até a pequena brasa tocar o filtro, sendo insustentável continuar.“Tchau, desculpa qualquer coisa, outra hora a gente se vê.”
Os pensamentos há alguns minutos já estão longe de ti. Preciso é de um café, Zeca Baleiro, um edredon. Não que tu sejas descartável, é um pouco diferente. És mais que um cigarro. És o vício de fumar. És tão vital e prazeroso, és meus delírios mais íntimos... Não minto se digo que ardo de paixão por ti. Te ter entre os dedos, comprimir entre a boca, é necessário para que eu seja completa. Te trago e prendo dentro do peito, te solto e admiro visualmente como a fumaça, mas ao fim, te apago amassado num cinzeiro velho.
Precisarei de ti em algum tempo. Não sei se amanha, ou se no meio da madrugada, mas que a necessidade virá, é certo.
O gato já foi alimentado, um bom drama está dentro do dvd, a calça de plush já substituiu a de jeans. Depois de ter roído todas as unhas, de 5 minutos terem parecido eternos, vem soando perfeito, matando a minha ansiedade, um leve chiado da cozinha, anunciando a água em fervura na chaleira: é que eu vou morrer se não tomar um café.
Depois de tanto tempo - tempo injusto - sempre insensível a todos a sua volta, que corre ou vagueia, incompatível com os desejos de quem ama, depois de todo aquele (não) passar, a gente agora podendo, resolveu brincar de viver os nossos combinados. E foi bem doce, mas quase chato: por que todo aquele temor de que nada mais seria o mesmo foi bem
E olhando intenso aqueles olhos escuros, no silencio que tanto me dizia, depois de horas sem que ninguém me convidasse eu não pude resistir. No teu inglês tão cotidiano, respondi com o mesmo olhar bonito, e implorei em silencio a tua vida:
Desculpa a todos que tinham gostado de passar aqui pela minha sumida. Viajei e ainda não tinha tido tempo de passar aqui, mas durante esse tempo saíram algumas coisas, logo elas surgem.
Perdão também pela simplicidade do que veio depois de tanto tempo. É a franca mente.
Bom domingo, se é que isso é possível.
Fiz meu chá de cidreira, e sentei daquele jeito que meu ortopedista disse que destruiria minha coluna, mas sentar assim me faz sentir bem.Vesti só aquela velha bata branca comprida em cima do corpo nu, e caminhei pela casa, enquanto ligava o som, e me espreguiçava, terminando só agora de acordar.
Matei o calor lavando a louça e cantando o Gilberto Gil que eu recém tinha ligado.Você entrou na cozinha com aquela cara fechada, irritado, com a rede vazia.Mas me olhou, e me deu um beijo de bom dia,provando que eu e seus problemas somos coisas totalmente diferentes.Sentou na mesa um pouco,e quando eu me dei conta já não estava mais ali. O chuveiro ligado denunciou seu paradeiro, e o quarto com a cama feita, me surpreendeu como todos os dias.Gosto desse seu senso mínimo de organização.
Eu entro no banheiro e sento no vaso só pra fazer xixi, mas você de dentro do box puxa uma conversa, e quando percebo, estou sentada no chão (na posição que prejudica minha postura) conversando com você como se fosse a primeira vez, a mais de duas horas.E como você me diverte! Como as suas ironias são hilárias, como esse sarcasmo marcado no rosto me atrai!É uma seriedade quase excessiva, o que acho bom, por que quando te faço dar gargalhadas em plena madrugada de terça feira, me sinto ótima.
Como se fosse usual,sem nem pensar que parece quebrar a rotina, tu me puxa pra baixo do chuveiro, e me da banho você mesmo.Lava as minhas costas onde eu nunca consigo,e massageia meu couro cabeludo enquanto enxágua o condicionador.É impossível não rir, quando percebo que você entrou mais uma vez de relógio no banho, sendo que esse é a terceira vez só esse ano.A casa de madeira range quando pisamos com os pés encharcados no corredor.Você me seca (isso sim faz parte da rotina!), e eu subo pro andar de cima,e encontro de novo, minha escrivaninha, o computador semi-novo, e a estande de livros organizada, porem empoeirada.Abro as janelas, mas não as cortinas brancas esvoaçantes, e me sento na poltrona, nesta da maneira correta, e bem confortável, com um apoio atrás pra que eu me mantenha assim sempre.Ligo o estabilizador com o pé,e enquanto a maquina inicia lentamente,lixo as unhas, já feias de tanto serem roídas.
E escrevo. Escrevo freneticamente,como se o teclado que um dia fora branco me desse inspiração.Os dedos batendo sem parar,sem nenhuma noção de datilografia, porém as palavras na sua maioria saem corretas.Digito com força, e imagino se o barulho constante não te atrapalha no andar de baixo.Mas não posso parar, é vital pra mim despejar essas palavras.Letras que se agrupam, palavras que se juntam virando frases, passando a parágrafos longos,se alongando em páginas...E eu paro num baque.Preciso de outro chá.
Enquanto desço a pequena escada, percebo que estou com fome, e só agora, quando o relógio de parede da cozinha marcam 15:15 é que eu noto que nem almoçamos.Te pergunto do final da escada se não vai ter nada de almoço, e você me responde afogado no seu livro: "Não. Sua vez.". Eu rio por que sei que não existe minha vez.A vez é sempre sua.Pego a chaleira e um pêssego da fruteira que já deixei lavado ontem quando cheguei do mercado publico, e começo a subir as escadas rapidamente, mas num solavanco travo, e dou a volta segurando no corrimão.Não poderia subir sem antes pular no seu colo, segurar seu pescoço e te dar um beijo.Eu te amo.
Caramba! Como é bom guardar.
Esse é o primeiro de toda essa história. E sabe, talvez seja o que mais faz sentido no presente.
Vou reescrever, acrescentar e tirar algumas palavras. Posto aqui depois.
E se o egoísmo, finalmente
Com o troféu erguido acima da cabeça
Conquistasse por completo a minha pessoa.
E se nesse instante, ele pedisse
“Voa fadinha, voa...”.
E ai de mim, tomada dele
Me esquecesse a gravidade do que aqui me prende
Entendesse ainda a tempo
Que essa vida, não aqui se acaba., se estende.
E subisse intermináveis escadas.
Rodando, cantando menina pelos corredores
As mãos, jogando pra cima
O que um dia julgara ser amores.
O riso ecoando pelos corrimãos
Achando que Deus era agora,
Só mais um dos meus irmãos.
Ai de mim quando lá em cima chegasse
E lá do alto, podendo ver o mundo
A única coisa que interessasse,
Fosse o fundo.
Os braços se abririam, não pra despedir,
Mas pra comprimentar
O imenso cumprimento que haveria dali, até o concreto
Que inundada de infância, eu ia preferir chamar de mar.
O que sentiria, não era cair ao certo
Não era ar o que acariciava meus cabelos
Era mais um mergulho, preciso
Que o meu eu menina, precisava ter inteiro.
Dizem no mundo sério, que foram poucos segundos.
Tragédia infeliz, letais ferimentos profundos...
Uma parte de mim, até compreende.
Mas essa não pulou.
A fadinha voadora, continua contente
Voando só onde é belo
Como seu sábio egoísmo lhe mandou.
E eu meio enjoada, meio bufando, só o que eu queria era escrever: Que preguiça.
De você.
